Agora que a minha razão de viver existe, o que gosto mais no fim de semana são os momentos de amor que só nós sabemos ter. Gosto de a ir buscar ao quarto quando acorda e levá-la para a minha cama, ou melhor, para a nossa cama, que o meu Zézinho também vai tendo os seus direitos! Mas voltando ao que interessa, gosto de a levar para a nossa cama e ali ficamos as duas, ou os três. Primeiro dou-lhe o leite porque, normalmente, está esganada de fome e depois ficamos ali nas nossas brincadeiras e gargalhadas até ficarmos cansadas.
Entre sorrisos enternecedores, beijinhos cheios de baba (se é que se pode chamar beijinhos ao que ela faz), tentativas de se sentar, quedas amparadas pelos meus braços que a irão sempre abraçar e olhares cada vez mais cúmplices, lá espreita o soninho que vai sendo cada vez mais forte (não sei se estou a falar do meu sono ou do dela) e acaba por adormecer (ela, ou às vezes só eu). Quando consigo resistir à tentação de ficar ali com ela num sono profundo, aproveito para pôr tudo em ordem e assim, quando ela acorda, continuamos com a nossa paixão. Ou então, aproveita-se para namorar com o pai, que também merecemos. Assim que ela dá o sinal, recomeçamos de onde estávamos, depois vem a sopa (e que luta que é!), a fruta (pior ainda), mais uma sesta (se estivermos com sorte), depois a papa (que adora), a sesta outra vez (se estivermos mesmo com muita sorte) e os passeios.
Aqueles passeios de fim de semana que dantes serviam para curar a ressaca, agora deixam-me a ressacar a semana inteira. É tão bom passear com os meus dois amores. É tão bom, os dois juntos, podermos mostrar o mundo à nossa borralhinha mais preciosa. é tão bom ver pai e filha amarem-se cada vez mais e amarmo-nos todos sem fim. Sabe tão bem e sabe tão bem ser assim lamechas (ainda estão aí ou já ficaram enjoados desta lamechice toda? Se ainda estão aí, deixem-me só acabar em grande).
Depois de passearmos, regressamos a casa mais cheios e mais alegres. Chegamos a casa com a certeza de que sermos pais foi a melhor escolha que poderíamos ter feito, apesar das dificuldades que às vezes encontramos. Sermos pais tornou-nos maiores, fez-nos ser mais e melhor. Sermos pais, deu-nos a conhecer uma Rita e um Zé que não conhecíamos. Sermos pais, é voltarmos a aprender como se fossemos pequeninos. Sermos pais, é voltar a ter o coração de uma criança. Sermos pais, é sermos tantas coisas numa só, que nos sentimos perdidos sem vontade de nos voltarmos a encontrar.





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